sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Águas dolorosas


Muito triste o noticiário sobre Blumenau, onde morei quatro anos. Ver as fotos de tantos lugares onde passei, casas que eu via no caminho, tudo destruído. O rio sempre causou temor quando vivia lá. Ao acaso, vendo fotos da enchente, tinha uma da rua onde morava, tomada pelas águas. Chorei pelas dores das pessoas que conhecia e desconhecia. Minha família materna criou-se nos brejos amazônicos, acostumados a grandes enchentes dos rios. Cresci numa cidade acreana acostumada com alagações. Mas só vi desespero de perto em Blumenau. Tudo se reconstrói materialmente. Mas as perdas humanas são terríveis, podendo nunca serem superadas. A sede, a fome,são os piores flagelos destes dias. O cenário, já não bastava ser apocalíptico, ainda vemos pessoas diabólicas que vão roubar as casas abandonadas na evacuação. Saques em supermercados. Passar fome depois de tantas dores é uma dor sem precedentes tendo em vista a riqueza de poucos que exploram a maioria. Não estamos na África, tão mais suscetível ao caos, mas quem está livre dessas misérias? Cada um pode fazer sua parte. Estão aceitando doações. É dando que se recebe.

Um comentário:

FaBinho Vieira disse...

Enquanto isso, tantos vamos seguindo nossas vidas alheios a tanto caos.
Às vezes sinto inveja dos alienados.