sexta-feira, 1 de agosto de 2008

País de bunda


A vida brasileira parece uma salada de frutas. Todo dia aparece uma nova mulher fruta. Temos as mulheres melancia, moranguinho, jaca e por aí vai. Isso reflete um lado ruim da cultura brasileira e que de maneira macro, chega até às crianças. Lembro de Carla Perez e sua dança da garrafa. Shortinhos minúsculos e um bailado altamente erótico. Concurso infantil de "Carlinhas". Um horror. Alguem já pensou que isso pode incentivar o erotismo latente no brasileiro e causar sérios danos a sociedade, como estupros e violência sexual ? A mídia não ajuda. Que beleza tem uma mulher com a bunda maior que uma melancia? Um desbunde? Bunda bonita é a da Luísa Brunet, linda em sua totalidade, dos pés à cabeça. Quem ganha com isso? Ganham as revistas eróticas e as peladonas. O engraçado é que essas "pseudoartistas" posam nuas, ganham milhões e depois, passado um certo tempo, arrependem-se da vida pregressa, e tornam-se mulheres voltadas a religiosidade, abominando seu passado. Detalhe: abominam seu passado mas não abominam os lucros advindos de sua nudez. Ainda não vi nenhuma "arrependida" doar algum dinheiro aos irmãops carentes. Nesse momento, chego a conclusão: o Brasil é um país de bunda mesmo. Continuarei rezando para que cresça e torne-se um país de cerébro. Créu.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Anjos e ventos


O pensamento que traz o vento. O vento que mostra o tempo. O tempo que pode ser tormento. O mar que nos faz pensar. Pensar que nos faz amar. Amar, pensar. Saudade do tempo em que éramos meninos. Pensávamos que seríamos seres guerreiros mar adentro. Somos guerreiros sem paradeiros, perdidos no mar sem tempo, num vento que açoita nossa cara e desmascara nossa máscara. Não somos mais meninos. Continuamos traquinos. Ainda somos meninos. Apenas crecemos. Do outro lado, anjo alado. Asas guardadas. Anjo, voa, assopra o vento. Enquanto é tempo. Voa.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Imortais.


Sábado fui ver "A Megera Domada " com o grupo de Cacá Rosset. Uma montagem grandiosa, seguindo os preceitos shakespirianos, humor fino, cenários comuns mas funcionais e figurinos lindos. Música ao vivo. Bons atores. Boas gargalhadas. Shakespeare imortal. No fim, Cacá dedica aquela apresentação a Dercy Gonçalves, outra imortal, que morreu no sábado. A história de Dercy é a história de muitos artistas: fome, luta e superação. Venceu todos os obstáculos num tempo em que atriz e prostituta eram a mesma coisa para a polícia. Vamos sentir saudades dos seus palavrões. Porra, puta que pariu! E ela só queria trabalhar. Lembro-me de ter cruzado com ela uma vez, numa desta em Blumenau. Foi muito simpática. E foi-se. Domingo, dia de sol, fui para o Guarujá. Dia lindo, céu de brigadeiro. Na praia, tomei raspadinha de uva com leite condensado e quase fico diabético. Depois comi milho no pratinho com garfinho. Sem graça. Bom mesmo é chupar a espiga. Ainda teve a inacreditável tapioca de pizza e um cheeseburguer. Só faltou um acarajé pois vi um carrinho que vendia na areia. Ainda encontrei o Mickey Mouse na praia. Imortal. O vento frio me arrepiava e não tive coragem de entrar no mar. Um picolé. No fim, algumas mensagens do dia da amizade. Já não tinha créditos para responder. Amo meus amigos. E dia da amizade é todo dia. E meus grandes amigos são imortais para mim.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

República dos bananas


Quando chamam nosso Brasil de república dos bananas, lá fora, são injustos porque esquecem de olhar seus próprios países e verem que fazem mais absurdos que a gente. Por outro lado, vivemos numa república de bananas sim. A nossa administração cada dia mais enfatiza esse termo. Pobre fica preso anos porque roubou uma lata de leite para alimentar um filho faminto. Banqueiro milionário fica preso algumas horas por roubar milhões. Na maioria dos casos, os políticos tem o rabo preso. Uma hora aparecem como cordeiros, mas depois mostram sua cara e são na verdade lobos devoradores do patrimônio público. Nunca podemos dizer nunca, mas espero nunca vender minha alma ao diabo me candidatando a alguma eleição. O diabo adora cobrar a alma como dívida de campanha. Eu tenho que acreditar que teremos um futuro melhor. Mas quando? Bem, se vivêssemos numa democracia, não seríamos obrigado a votar. Democracia plena é termos o direito de não votar. Mas somos obrigados. País de bananas. E hoje lendo uma crônica de Carlos Heitor Cony refleti um pouco. Ele nos conta que Garrincha, ao ser indagado sobre o que lembraria sempre de Roma, respondeu: foi em Roma que roubaram as chuteiras do treinador da seleção brasileira. Todos os caminhos um dia levaram a Roma. Caminhos falhos. Roma ruíu com as ivasões bárbaras. Será que um dia nossa política bárbara ruirar? Talvez, acendendo uma vela, mas não de sete dias, tenhamos fé. Uma vela de setenta e sete anos? Mais? Vamos esperar. Cada dia mais o canto de Cazuza ressoa na minha mente: Brasil, mostra tua cara!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Páginas cotidianas-a dama da lotação


Dias desses, pegando o metrô até a São Bento, um garoto cego me chamou atenção. Seu olhar era mágico, pois mantinha os olhos bem arregalados e segurava a mão de seu amigo ou pai. Lembrei-me que tenho três primas cegas, irmãs. Enxergam com os ouvidos melhor que eu. E como somos cegos nessa vida. As vezes não enxergamos o que está embaixo do nosso nariz. O metrô aliás é uma página cotidiana de fatos para vermos as coisas. Outro dia, o carro lotado, uma loura, meio vulgar, roupas vulgares, e um homem de terno e gravata, um tipo italiano, protagonizaram uma cena, em que assisti de camarote, bem na minha frente. Não sei que momento olhei para ambos pois conversava com um amigo, mas quando reparei, o homem encostava de leve no "derriére" da moça. Com o movimento, o balançar tornou-se constante, e a moça deliciava-se com a situação. A dama da lotação. Fiquei observando e meu amigo ao lado também notou o flerte do casal. Beirava quase a imoralidade, como diria uma tia carola de igreja, mas eles, parada após parada, continuaram em sua paquera. Eu e meu amigo começamos a conversar em inglês sobre o fato e demos boas gargalhadas, o que chamou a atenção do casal. O homem afastou-se mas notamos o grau de excitação dele e o desânimo dela. Separaram-se. Notei uma aliança na mão esquerda dele. Ela parecia solteira, sem alianças. Logo ele desceu e nós tambem. A moça continuou. Talvez em busca de um parceiro. Foi a única vez que vi um "quase" ato sexual no metrô. Ou melhor, foi um ato sexual, apenas não tiraram a roupa e transaram ali na nossa frente. Nossa mente já tinha despido-os e tornado-os dois despudorados e tarados. Como nossa mente é fértil.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

E viva o Brasil, puta que pariu!


Li a Folha de São Paulo ontem onde Ciro Gomes ataca a prefeita de Fortaleza, chamando Fortaleza de Puteiro. Sou cearense naturalizado, pois estudei e virei gente em Fortaleza, e com muito orgulho. Por acaso fui aluno da Luizianne Lins, atual prefeita de Fortaleza, em quem votei quando era candidata à vereadora, em uma das últimas eleições que votei. Fortaleza é uma cidade maravilhosa, para quem conhece. São Paulo, onde moro atualmente, também é mas depende do ponto do vista. Fortaleza é cheia de putas mas onde não é. E adoro essas mulheres, pela coragem e luta ou pela vida que deixaram se levar. Todas merecem respeito. São Paulo também é cheia de prostitutas. A diferença é que no nordeste as putas são meninas, quase crianças, quando não são crianças mesmo, que dão o que é delas por migalhas à estrangeiros porcos e brasileiros imundos que vão comer as pobres meninas. Pobres menininhas. Passei os ultimos três anos morando em fortaleza. Antes morei quatro anos em Blumenau, um exemplo de administração petista pois é limpa e lavada todo dia, abundam empregos, os puteiros estão por toda a cidade e são chamados de whisquerias, as escolar públicas são maravilhosas e uma vez por mês os ônibus são gratuitos. É tao maravilhosa que tem um dos maiores índices de suicídio do país. Preferi largar Blumenau e voltar anos atrás ao puteiro cearense como diria o infeliz Ciro Gomes. Encontrei a Praia de Iracema, a parte dela que tanto adorava, destruída e tomada por cabarés e putinhas para todos os gostos e desgostos. A violência nem se fala. Mas apesar de tudo, o espírito nordestino ainda vive e supera tudo. Se não superasse a política de roubo e abandono, não existiria nordeste, nem norte. Aliás, para alguns sudestistas(se é assim que se escreve) e sulistas, norte e nordeste é a mesma coisa. Como me irrita quando dizem "povo do norte". Há anos não voto. Ano passado paguei 15 reais de multas por cinco eleiçoes sem justificar e para renovar o passaporte. A prefeita de Fortaleza teve propostas interessantes mas o inferno está cheia delas. O problema não é o PT, ou o partido que seja. Qualquer um que chega ao poder vende sua alma ao diabo, ou o diabo a toma como pagamento de dívida de campanha. Saudades do puteiro de Fortaleza mas coincidentemente, nenhum fortalezence tem saudade da administração de Maria Luíza, a primeira petista a governar uma capital. Saudades das idas à praia do futuro quase todos os dias, de ir ao dragão do mar, das peças dos amigos, da negada (ops Carri, agora não podemos mais dizer isso e sim afrodescendentes). Caminhava entre as putas na beira-mar. Dava boas gargalhadas, ria para não chorar. Meu país não é infeliz como disse um amigo de um amigo meu. Procuro viver da melhor maneira que posso e sou feliz, mesmo longe do Ceará e dos amigos, nessa selva de pedra, onde também sou feliz. Conheço meu país demais pois fui gerado no Acre, nascido no Amazonas, criado no Ceará, passando por Santa Catarina e agora São Paulo. Não quero passaporte europeu. Morei na europa, sei como são infelizes os europeus no seu mundinho egoísta. Os americanos também. E como dizia o Nelson Rodrigues: O Brasileiro é um narciso às avessas pois cospe na própria imagem". O tempo passa. Os políticos passam. O inferno está cheio deles. Eu faço a minha parte. Nada mudará da noite para o dia, seja com PT, PSDB, Dem, o caralho. O que precisa mudar é o pensamento do homem. Eu procuro ajudar quem posso, é o mínimo que posso fazer, no mínimo com palavras. E viva o Brasil, puta que pariu!

Ricardo, um brasileiro.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Silêncio de domingo


Dia de jogo do Brasil pra mim é um saco. Eu não vou perder meu tempo assitindo um jogo. Aliás, perco muito pouco tempo vendo disputas. Prefiro assistir um filme que me fará refletir ou ouvir uma boa música. Ontem, o silêncio provocado pelo jogo Brasil X Paraguai foi sepulcral. A derrota brasileira foi uma delícia. O Paraguai mereceu. E Viva o Paraguai! As ruas ficaram silenciosas e o consumo de bebidas foi mínimo. Não ouvi fogos chatos. Pude usufruir um fim de semana sem igual. Sábado estava com saudade do mar. Então fui levado a passear no Guarujá. Atravessamos de balsa e chegamos a Santos. Voltar 16 anos depois à praia do Ilha Pochat. Lembro que ficava num quebra-mar entre Santos e São Vicente, sonhando com os transatlânticos que passavam. Períodos difíceis e de fome. Fiquei tomando suco de cupuaçu e rindo do passado. Na volta a selva de pedra, parei na casa da Dani e Vinícius, e tomei alguns copos de água.O mundo dá muitas voltas. Foi um túnel do tempo, cheio de recordações. E o melhor, no fim de domingo, o silêncio. Apenas o silêncio. E a chuva. E o frio.