Todo dia apostamos numa corrida em que queremos ser vencedores. É um páreo difícil. Há cavalos fortes, há cavalos fracos. Chega em primeiro quem tem a melhor disposição para vencer as adversidades. Apostamos tanto. Apostamos muitas vezes num cavalo medíocre. Apostar no cavalo certo, no vencedor, é o grande enigma. As vezes, inconcientemente, apostamos. E perdemos tempo, dinheiro e saúde. Quando, num dia inesperado, sem a menor perspectiva, ganhamos, é uma alegria, um sentimento de vitória que levamos noite adentro, entre sonhos e uma sensação de felicidade indescritíveis. Todo dia sonhamos com essa vitória. Ganharemos poucas vezes na vida, quiçá nem uma vez. Mas a vida é sonho, e os sonhos, sonhos são.
Contos e crônicas da vida...a vida não como ela é, mas como a vida quer.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
domingo, 21 de março de 2010
A single man
O limite de nossa capacidade de viver é testado muitas vezes. A solidão que nos abate em vista de perdas afetivas nos fazem querer a morte. Morremos tantas vezes. Matamos também para não morrer. A felicidade alheia pode ser incômoda quando somos invejosos e egoístas. Há muitos diuas a solidão está incomodando. Hoje, no cinema, assistindo "A single man", identifiquei-me demais com a história. Até que ponto somos fortes. Até que ponto somos capazes de nos reconstruir, dar a volta por cima e erguermos novos castelos. Hoje, voltando das baladas, deparei-me com Celina, uma senhora que dorme na esquina do meu qurteirão. Sempre me perguntava qual seria a história daquela mulher. Hoje conheci toda. Sozinha no mundo, mas digna. Sobrevive com 147 reais. Emocionei-me demais ao tomar liçoes de vida no dia que surgia. O que somos? O que sou? Apenas um rapaz solteiro.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Nem tudo são flores
Olhando as flores da minha janela, tão bem cuidadosas e cheias de amor, fico pensando que na vida nem tudo são flores. O dia está nublado, meu coração também. O verão está chegando ao fim. Apesar do inverno ser a estação que mais gosto, não sei se quero passar mais um em São Paulo. Há a alegria de muitos amigos que fiz e a tristeza de muitos insignificantes que conheci. Vim só, provavelmente partirei só. Alma errante. Tudo estava bem até alguém dar sinal de vida. Anos para esquecer alguém e segundos para todo um sofrimento voltar á tona. Me senti um náufrago, boiando no mar ártico sem fim. Realmente, hoje não seria um dia comum. Amanheci com extrema calma e procurei atender todos os alunos. Cheguei em casa e cozinhei muitos pratos: queria um almoço completo. Os dias correrão e esquecerei esse dia. Amanhã será outro dia. Graças a Deus.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Por um pouco de felicidade.
"O dia foi de muita tristeza para todos que, nos últimos três anos, se emocionaram com a história de um jovem do Recife. Alcides do Nascimento Lins nasceu numa comunidade pobre e conseguiu passar no vestibular de Biomedicina, da UFPE, em 2007. Sonhava em se formar, mas a família não poderá ver o estudante receber o diploma. O jovem foi assassinado. "
Foi assassinado porque os criminosos, não achando quem queriam matar, o mataram por um simples capricho: não deixariam de matar alguém. A esperança move os brasileiros. Alcides era o retrato da esperança. Um desânimo me atinge ao saber dessa história. Meus Deus, como as mães sofrem diante dessas esperanças mortas pela absurda sanha criminosa que anda solta aí. Talvez seja filho da esperança. Minha mãe coragem venceu a ignorância dos meus avós e conseguiu estudar porque revoltou-se contra eles. Foi salva por uma tia que a tirou de casa e conseguiu uma bolsa numa escola que dava bolsas a meninas pobres em Manaus. Lá se vai mais de meio século. Hoje, ao conversar com ela como todos os domingos, ela contou-me que um tio perdeu a pensão mísera de um salário que recebia porque o INSS achou que ele já está bem e não merece mais receber. Meu tio cospe sangue quando tem crises. Miséria humana. Choro ao pensar que hoje estive tomando banho numa casa que vale milhões e que a felicidade não mora lá. Tive um fim de semana ao lado da felicidade. Um grande contraste com a vida. Vivemos por um pouco de esperança. A esperança não morreu mas anda doendo. Dói.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Regime feliz, dia feliz.
Acordar e pensar que tem alguém pensando na gente logo cedo é bom e faz muito bem ao coração. Depois do médico, no metrô, deparei-me com um casal carregando um filhinho pequeno. Fiquei observando o carinho e um detalhe na mãe: ela não tinha um dos braços. Tantas pessoas nesse mundo que superam todas as dificuldades e são mais felizes que muitos de nós. Precisamos de dinheiro, de tanto dinheiro para sermos felizes? Ainda no caminho, vi muitos revirando o lixo. Meu pensamento foi no Haiti. Precisamos de dinheiro sim, mas dignamente. Mas dividir é um verbo quase ausente do nosso vocabulário. Ao chegar em casa, no jornal da tarde, vi uma matéria sobre uma brasileira que trabalha em Londres e abriu mão de ganhar muito para ganhar pouco e trabalhar ajudando milhares de pessoas. Ela foi considerada na corte inglesa como uma mulher que faz a diferença e foi notícia. Não há como não lembrar de Zilda Arns nesses momentos. A tarde, no fim, fui encontrar alguem que penso logo cedo e que faz a diferença. Tomar um sorvete juntos, bater papo, rir, desejar, ser desejado, isso faz a diferença. O que faz você feliz? O sorvete foi ótimo. Mas ainda tem as trufas que ganhei. Que regime difícil. que regime feliz. Ainda tive tempo de fotografar as vaquinhas. Dia feliz.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
As rosas não falam

Tento enxergar um caminho difícil. O dia, prestes a amanhecer, me faz pensar na minha tristeza, na tristeza humana dos solitários. Me sinto num imenso campo de rosas, um roseiral. Há flores lindas mas não posso tocá-las ainda. O máximo que consigo é aspirar seu perfume e saber como são belas. Se tento tocá-las, firo-me, ou no desespero, firo a rosa, despetalando-a. Isso é a vida. Sei que há uma rosa que não tem espinhos, ou se os tem, não machuca como as demais. Mas onde está essa rosa, não consegui chegar ainda. Há diversas rosas na minha janela. Há rosas na minha janela da alma. Foram presentes tão caras ao coração. Uma triste metáfora. Nos próximos tempos, que não posso datar ainda, irei cultivá-las, na esperança que possa tocá-las um dia. As rosas não falam, mas me ouvem. Companheiras da solidão.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
O inferno é o Haiti

Quando vejo as notícias sobre o Haiti me lembro do apocalipse, que seria uma metáfora para descrever o que aquele país vive. Há uma mobilização mundial para aliviar o sofrimento daquele povo. Sofro com o noticiário, com a cada notícia de mais um brasileiro morto. Há centenas de milhares de mortos e desaparecidos. Pessoas vagando sem água, comida, sem remédios. Me lembra o ensaio sobre a cegueira do Saramago. Me lembra aqueles filmes-catástrofe americanos. O inferno é o Haiti.
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