Contos e crônicas da vida...a vida não como ela é, mas como a vida quer.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Revolta
A capacidade de dissimulação dos políticos é revoltante. Aquele governador de Brasília é um aleijão moral. Mas o brasileiro é burro, cospe na própria imagem, como um narciso às avessas. E ainda somos obrigados a votar. Tenho que acreditar em reencarnação para que essa corja possa renascer nos singapuras e nas favelas.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
O bem sempre vence
Estava no ônibus que me levava ao SENAC. Um rapaz ouvia um mp4 alto e tocava minha música favorita do U2. Olhei o céu. Plúmbeo. Uma angústia me acompanha há alguns dias. A solidão nos campos de algodão. Ontem fui ver Almodóvar com o Marcelo. Nos filmes do espanhol há sempre uma mulher louca ou um louco, ou os dois, um viado ou travesti, alguém doente, homens bonitos,uma morte, cores fortes, e ultimamente, Penélope Cruz. O filme vale o ingresso. Não passou a ser meu preferido pois nada supera Tudo sobre minha mãe ou Volver. Mas, depois do filme, fiquei conversando sobre os caminhos da vida. Ontem, em casa, refleti sobre a solidão. Não quero sexo, somente sexo. Quero um abraço amigo. Dormir e acordar abraçando. Sentir o cheiro do outro. Corpos entrelaçados. Fim de ano ficamos cheio de reflexões. E fico pensando naquela menina que vendia cuecas na 25 de março e que apertou meu coração. Aquele momento que vivi, poucos segundos, observando aquela menina negra, sentada no chão, esperando que alguém comprasse as cuecas. O olhar perdido diante da necessidade. A imagem está colada no meu pensamento. Todos queremos um pouco de alegria no Natal. Precisamos sorrir mais.Ainda acredito no amor e no bem. É fazendo o bem que recebemos o bem. O bem sempre vence.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Dias felizes no sertão de Cambury

Tem convites inusitados e que são como bênçãos. Esse fim de semana fui convidado a ir à Cambury por um amigo. Ao sertão de Cambury. Descemos ao litoral na quinta à noite. Fomos conversando sobre histórias de vida e morte. Foi até animado o papo. Chegamos já no início da madrugada. Uma casa especial. Uma energia maravilhosa. Na hora de deitarmos, a cama quebra. Virou cama japonesa. Ainda ouvi algum barulho na madrugada: eram as panteras chegando. Foram dias de puro deleite. Acordar de manhã, café com todos na mesma mesa, praia e almoços que viraram jantares: tudo que sentia falta. Estar entre amigos, novos amigos, foi muito bom. Tudo era dividido por todos (Ah se tudo no Brasil fosse assim). Tomei muito banho de mar, tomei muita fanta uva,chupei picolé, fiz guacamole e cuscuz. Foram dias de deleite genuíno. Ficava deitado nas várias redes. Nordestino adora redes. Vi pirilampos e ouvi histórias de ectoplasmas. Fui a uma cachoeira fantástica.Só não escapei da sanha dos borrachudos. No primeiro dia, cantei glórias que eles não gostavam do meu sangue. Mas do segundo dia em diante, eles me atacaram. Jogando frescobol, meu nervo ciático deu sinal da sua presença. Mas nada modificou meu pensamento de dias felizes no sertão de Cambury.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
A natureza animal dos homens
Certas horas, paro e fico a pensar sobre a natureza animal dos homens. O instinto devorador de alguns homens é incrível. Muitos, não satisfeitos em devorar suas vítimas, em puro canibalismo, devoram-se também, numa automutilação terrível. Vivemos entre feras humanas. Loucas. Aprender a evitar certas selvas é parte do princípio da sobrevivência. Há tanta gente do bem, que inexperientes, são vítimas nas selvas de pedras. Dias desses, uma aluna mudou de emprego e foi estagiar numa confecção, uma floresta de animais. Não estava preparada para a animalidade daqueles. Saiu. Tem dias que me pergunto por que estou aqui. Tive dias difíceis. Dias felinos. O que nos reserva o futuro? Ando sonhando com um futuro menos animal. Esse fim de semana foi interessante. Me vesti de urso e observei horrores. E no fim ganhei um dia na loteria. Foi um domingo gostoso. Obrigado meu deus.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Aos mestres, com carinho.

Hoje é dia dos professores. Como representante da classe, sinto-me imensamente feliz de trocar os conhecimentos que adquiri com meus alunos, os filhos que não tive. Mas nesses últimos anos, tive excelente professores que também me ensinaram muito, muitos que não lembrarei o nome, mas lembro de alguns. Gladys Meier era o nome dela. Ensinou-me na terceira série do primário a sempre fazer o que gosto. Teve o Nilson e a Cristina, ambos de Português, que me deram o gosto pela escrita. Teve a Nazaré Fontenelle, misto de amiga, irmã e mãe nos últimos anos, a professora que mais influenciou minha vida, artística e não-artística. E a Nazaré vou dedicar esse momento, pois sou grato a muitas horas que vivemos juntos, principalmente nos teatros da vida. Lembro da Brasília velha que ela tinha. Fui até marido dela em alguns esquetes. Das viagens pelo interior, Natal, Belo Horizonte e Anápolis. Pelo meu primeiro emprego, como professor, substituindo-a. Estive nos seus 50 anos, 60 anos, 70 anos, 50 anos de casamento. Escrevi e representei uma vez sua história. Que mais posso dizer? Que você, mesmo que o tempo e a distância digam não, estarás sempre no meu coração.
sábado, 3 de outubro de 2009
Deus e eu

Sábado, 23 horas. A Greve de bancos me derrubou. Uma semana triste. Dores no peito sem motivos aparentes. Acho que são os sintomas de meses de tristeza. Repouso.Tantas decepções. Perto de todos mas solitário. De noite sempre resta a companhia de meus livros e travesseiros. E Deus. Deus e eu. As horas passam e tentando cuidar de mim. Vou procurar direcionar minha energia para algo construtivo que possa ajudar alguém. Quando isso era mais presente o retorno era sempre maior. Olho a noite, ouvi trovões. O sinal sempre vermelho da minha janela. Tenho medo que não possa ser uma boa companhia. Ando com Clarice Lispector no peito. Viver é incômodo. Amanha talvez vá ao parque e novas companhias façam bem. Domingo no parque. Sim vai ser bom. Não queria ficar em casa. Mas as forças do destino foram contrárias. Acho até engraçado. Saudades dos amigos distantes. Saudades de rir com Bob. Acho que chove. O cheiro de chuva invade minhas narinas. Lembro dos banhos de chuvas na rua quando era um menino já cheio de ilusões e conflitos. Cresci. Good night. Deus e eu.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
O ÚLTIMO OLHAR
O último olhar
A história de um intenso reencontro entre mãe e filho quando este está perto da morte é o principal foco da peça Os Olhos de Bette Davis, em cartaz na cidade as sextas-feiras de outubro
A história de um intenso reencontro entre mãe e filho quando este está perto da morte é o principal foco da peça Os Olhos de Bette Davis, em cartaz na cidade as sextas-feiras de outubro
Qual o sentido da vida? Devemos acreditar na supremacia do destino comandando por Deus? Ou nos tornarmos conscientes da responsabilidade de nosso livre-arbítrio? Essas são questões que flutuam em Os Olhos de Bette Davis - em cartaz no Teatro do Sesc Emiliano Queiroz. O drama, escrito e dirigido por Ricardo Andrés Bessa, traz ao palco renomados atores cearenses, como Hiroldo Serra, Ivanilde Rodrigues e Martha Vasconcelos. Inspirada na vida de Bette Davis e com o mesmo nome da música de Donna Weiss e Jackie DeShannon, Bette Davis Eyes, a peça transforma em arte os grandes dramas pessoais e familiares da humanidade. Num singelo quarto de hospital, atmosfera em que a trama se desenvolve, os personagens tentam resolver os próprios dilemas, além de intrincadas questões familiares, que, com o passar do tempo e a acomodação dos envolvidos, ficaram sem solução. O drama gira em torno da vida e das relações de Jean Marc Davis (Hiroldo Serra), grande bailarino internacional em estado terminal provocado por uma doença que se conclui ser aids. Delicadamente, o nome da enfermidade não é citado no texto e as conclusões são tiradas em função da composição do figurino e do estilo de vida do personagem. Em estado terminal, Jean Marc prefere passar seus últimos dias próximo a quem considera sua família, como Tia Ruth (Martha Vasconcelos). Entretanto, a chegada de sua mãe, Elizabeth Davis (Ivanilde Rodrigues), que o abandonou para tornar-se cantora em Paris e jamais aceitou seu estilo devida, o obriga a reavivar todas suas mágoas com intensidade. Os diálogos entre ambos são densos - apesar das interseções de humor e ganham ainda mais destaque com as atuações de Hiroldo e Ivanilde. Ele, irônico, triste, sonhador, ora revoltado, ora resignado. Ela, severa, amarga, cruel e vaidosa. Martha Vasconcelos também merece destaque. Com suavidade, constrói uma Tia Ruth altruísta, conformada e religiosa. Compõe o clima da peça o cenário simples e a iluminação bem utilizada, mas é marcante a felicidade na escolha da trilha sonora, que utiliza trechos das músicas dos filmes O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Fim de Caso, além da minissérie Os Maias, da Rede Globo. Os Olhos de Bette Davis busca discutir a hipocrisia das relações modernas. É uma história que pode ser a de qualquer pessoa e fica difícil sair do teatro sem se questionar de quantas verdades e mentiras estamos cercados em nossas relações familiares.
SERVIÇO Os Olhos de Bette Davis da Companhia de Artes Cínicas. Elenco: Ivanilde Rodrigues, Hiroldo Serra, Martha Vasconcelos, Magno Freitas e Tiago Braga. Texto, direção e figurinos: Ricardo Andrés Bessa. Em cartaz todas as sextas de outubro no Teatro Sesc Emiliano Queiroz (Av. Duque de Caxias, 1701 - Centro), às 21 horas. Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia). Informações: 3452.9034.
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