sexta-feira, 11 de abril de 2008

HOMEM-BESTA


É incrível como uma tragédia, como a da garota atirada de um prédio muda para pior as pessoas. Aliás, tragédias sempre chamam atenção. Mas há um lado ruim nisso tudo. Hoje, vendo na TV, o momento em que o pai saíu da cadeia com um hábeas corpus, fiquei triste. O carro cercado, algumas muitas pessoas tocando o automóvel e dizendo xingamentos. Ainda não foi denunciado um culpado. Sendo ou não sendo, como o ser humano perde seu tempo, saindo de sua casa, ocupando-se de um problema que não é dele. Desejo que os pais não sejam culpados, para que aquelas pessoas que não tem nada melhor o que fazer na porta das delegacias, fiquem relegadas ao ridículo. E mesmo que a polícia ache os culpados, ninguém tem o direito de dizer nada. Um assasinato é um crime terrível. Mas, como acredito em Deus e em vida antes e depois dessa, sempre penso que ninguém pode atirar a primeira pedra, nem a última.É a besta, diria o apocalipse. É o ser humano-besta. Como sempre alerta minha mãe: "Nunca deixe de rezar antes de sair de casa".

segunda-feira, 7 de abril de 2008


Há muito tempo não tinha um fim de semana agradável. Na sexta, passei horas procurando um memory disk para uma amiga. Uma chuva caía e me estressava. Lembro de ter subido o metrô na escada rolante e uma brisa fria acariciou meu rosto e me lembrei imediatamente do mar. Como o mar faz falta. E alguem atendeu meus pedidos e me levou ao mar. Tudo bem que o mar de Maresias não é a mesma coisa. Não é mesmo. Praia estreita e quase ninguem na areia. O tempo não estava bom. Mas como o lugar era reduto de surfistas, eles estavam em todos os lugares. Só posso dizer que fui surpreendido. Boa surpresa. Um fim de semana de carinho e afeto. Nossa, e vivemos carentes disso, e quando recebemos, somos desarmados. É claro que devemos retribuir e tentei retribuir o mínimo. Tentei buscar o Ricardo perdido há algum tempo. Na saída, muitos abraços e um gato negro sobre o carro. Lindo. Egípcio. Voltamos debaixo de chuva. Muito bom voltar ao lado de alguém agradável e inteligente. E muitas outras qualidades. Fico lembrando e sorrindo. Amanhã é outro dia. Mas que passe logo a semana. Aleluia.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Cores da vida


Há alguns dias não escrevo. Preguiça mesmo. Andava meio bege.Semana passada, estava em Curitiba, revendo lembranças e uma amiga. Uma semana de tranquilidade . Muitas mensagens trocadas com alguem.Ontem fui na 25 de março. No metrô, algumas coisas e pessoas me chamaram atenç o. Uma m e empurrando a cadeira de rodas da filha. Um carinho imenso ao cuidar daquele ser. Havia uma pobreza latente em suas roupas. A cadeira de rodas era rosa e nas roupas da garotinha predominavam a cor rosa. A vida em cor de rosa.Fiquei pensando no sacrifício de muitas m es por seus filhos deficientes. Durante o percurso, a m e p e a filha no colo e dá-lhe uma banana para ela comer. Era surreal aquele momento. Reparei em outra mulher, cabelos mal pintados, mas o que me chamava atenç o mesmo eram os olhos vidrados e parados, e o constante sorriso. Pensei que ela poderia ser cega, mas numa estaç o, ela desce, sorrindo, os olhos ainda vidrados, e seguiu. A m e tambem segiu com sua filha. Durante o dia essas imagens ficaram gravadas. As vezes temos tudo e n o conseguimos ser felizes. E ontem, vi, essas pessoas, aparentemente, sem muitas coisas, mas numa paz, seguindo seus caminhos. Nos últimos dois dias, tenho sentido uma paz. Alguem tem me proporcionado uma tranquilidade prazeirosa. A vida anda rosa. Azul. Verde.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Cachorras pequinesas

O tempo e o vento. Quando chove aqui em São Paulo, ficamos apreensivos. Tudo pode acontecer. Mas ao menos as chuvas amenizaram o calor. Tudo é mudança em mim. As mudanças de tempo me causaram uma gripe tenebrosa. Uma semana nesse sofrimento. E haja lenço de papel. Ontem fui caminhar nas calçadas dos chiques e famosos. Nada me atraiu. Louis Vuitton não siguinificou nada. Tudo bem que nunca tinha visto uma Ferrari verde. Verde Limão. Ando me concentrando na minha dissertação. Buscando mais inspiração. E no entra e sai de um metrô, observei uma cena inusitada. Na estação Brigadeiro, o carro parou por um instante com uma queda de energia. Quatro moças conversavam sobre seu trabalho. Provavelmente eram enfermeiras, pois minutos antes discutiam sobre procedimentos cirúrgicos. Qual a graça de tudo isso? Uma delas disse que tinha comprado um sapato escândalo e que trocaria ali mesmo pois ninguém observava. Eu observava. Ela trocou seu scarpin amarelo por uma sandália alta prata. E a luz chegou e o metrô seguiu. Fiquei me lembrando dos sapatos Louis Vuitton de hum mil e quinhentos reais. Era um sapato muito feio. E nisso me lembro das mulheres pequinesas dessa cidade. Parecem cachorros saindo de uma petshop depois de serem penteadas. Querem ser tanto e nao são nada. São sim, ridículas cachorras pequinesas.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Filmes da vida

As vezes, a gente se pergunta: Porque vemos o mesmo filme várias vezes? Ontem e hoje, vi pela enézima vez ,"Um lugar chamado Nothing Hill". O filme tem o canastr o do Hugh Grant no papel do tímido livreiro. É um filme que fala da busca e espera do amor. Ensina-nos a viver. Quantas situaç es queremos submeter certos amigos, apresentando pessoas, que esperamos bem ou mal, correspondam as car ncias desses amigos. O filme mostra um pouco disso. Mas ontem fui assistir um espetáculo chamado "Arrufos". Lindo. Fala sobre o amor e suas vertentes em diferentes épocas. Quando acabou a peça, sai do espaço onde aconteceu a encenaç o e fiquei esperando as meninas do movimento canelau. Vários casais se beijando.Vários tipos de casais, diga-se de passagem. Dormi pensando no sofrimento do jovem Werther. Dormi pensando num amor que tive, ou melhor, tenho, porque amor que é amor vai a eternidade. Mas a tristeza maior da minha vida, foi ter que me afastar desse amor para que a raz o e o bem prevalecesse. Naquela época, sofri calado. Adoeci gravemente mas me resguardei. N o me arrependo do que fiz. Respeito o sil ncio e a frieza de alguém que n o aprendeu a viver plenamente. Dias desses, na mudança, encontrei umas cartas desse passado. Trouxe-as comigo. Servir o para algo muito importante. S o a prova que eu estava certo. Mas terei que esperar pela eternidade para estar cara a cara com a verdade.Ou n o. Filmes da vida.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Mundo pequeno mundo

Peguei a primeira gripe do ano.Está um calor infernal nessa cidade. Ontem foi meu primeiro dia de aula do mestrado. É bom voltar aos bancos. Tive que acordar cedo e correr para pegar o metrô, pegar a ponte orca, pegar o trem. Ufa, uma viagem e tanto. Nas estaç es tocavam Piaf. Dentro do trem, músicas clássicas e um maravilhoso ar condicionado. A turma é meio heterog nea e a aula inaugural n o foi lá essas coisas. Hoje fui a 25 de março. Olhar tecidos. Achei uma loja fantástica. Me vi uma hora no meio do rapa. Fiquei com pena, pois todos est o tentando ganhar a vida. Na volta resolvi n o pegar o metrô e fui caminhando até a praça da república. No viaduto do chá, cruzei com um rapaz negro vestido com uma blusa verde lim o. Ele se destacava da multid o. Mais adiante, quando pensei que já tinha visto tudo, encontro uma mulher negra de cabelos oxigenados. Uh terer !E quando desço o metrô consolaç o, dou de cara com um ex-aluno meu de Fortaleza. Mundo pequeno mundo.

segunda-feira, 3 de março de 2008

A vida se renovando

Andar pelas ruas de Sampa sempre nos traz uma surpresa, seja encontrar uma amiga na Paulista, seja encontrar um amigo de Fortaleza na 25 de março. O mundo é pequeno. Tenho caminhado muito por aqui. Sexta passada fui ao Masp. Fiquei observando o retrato de Suzanne Bloc, aquele que foi roubado e recuperado. Não era a melhor obra da coleção. Havia os Van Gogh e Renoir. Havia muitas coisas, aliás. A exposição sobre mitos era uma maravilha. Depois fui almoçar no restaurante de lá. Pequenos prazeres. Grandes prazeres. Ontem fui ao teatro ver “Gota D’água” de Chico. Esperei anos para ver uma montagem. Três horas de espetáculo. Maravilhoso. Fabuloso. E hoje, saindo do metrô, uma mãe amamentando seu filho na escada me chamou atenção. A vida se renovando. C’est la vie.