domingo, 20 de janeiro de 2008

SEGREDOS E MENTIRAS NAS AMIZADES EFÊMERAS


Cada dia desperto com maior surpresa para o mundo. Ou não.Vivemos entre segredos e mentiras. Quem é mais hipócrita? Aquele conta um segredo não tão segredo assim, ou aquele que fez parte e criou um segredo? Senhoras e senhores, eu vou confessar a límpida e exata verdade histórica: somos todos hipócritas. Quem são nossos amigos? São aqueles que nos traem pelas costas? São aqueles que comem na nossa mesa e mijam nos nossos banheiros? Eu tenho fama de falar demais. É verdade. Mas ninguém poderá dizer que sou hipócrita. Meus segredos são públicos. Eu sou público. Não tenho o direito de contar nada a ninguém. Por falar sem pensar, naquelas provocações cotidianas, de repente, “soltamos uma pérola”. Que sociedade medíocre a nossa realmente. Sou medíocre então. Mas não o maior de todos. Irei partir. Se restar só um amigo, irei feliz. Será um amigo para contrariar a máxima que não temos amigos. Então terei um. Espero que não medíocre e hipócrita como eu. Eu não fico com “amigas” de amigos. E se desejo um doce que o vizinho fez, eu falo em alto e bom som que quero aquele doce. Não vou comer escondido o doce do vizinho, que por sua vez já tinha comigo o doce de um colega, que por sua vez já tinha saboreado os doces de muita gente. Muitas formas de amar. Carências. Eu sou o pecado. Joguem todas as pedras. Mas cuidado. Algumas podem voltar. Me digam ai quem é meu amigo. Posso ter defeitos mas tenho qualidades. Mas tenho grandes defeitos. Ai, as pedras. Vamos ver quantas amizades são efêmeras. Quantas pedras teremos no caminho.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Estar só.


Quando perdemos o amor próprio começamos nossa maior derrocada. Conversando com uma amiga, fiquei a pensar no que é necessário para sermos felizes. Ela me disse que não precisamos além de nós mesmos para sermos felizes. Fiquei a pensar. Ela não deixa de ter razão. Muitas vezes, devido às carências e fragilidades nos tornamos infelizes porque achamos que para alcançarmos a felicidade temos que estar com alguém. Sim, é ótimo estar com alguém mas nem sempre é a solução para nossos problemas afetivos. Começo a pensar que sozinho não é tão ruim assim. Não é o ideal mas que tem suas vantagens tem. Vou pensar mais.

sábado, 5 de janeiro de 2008

COISAS QUE PERDEMOS NO CAMINHO


Ontem, indo ao cinema, vi , me vi, me senti, senti. Era o clima de violência. Não foi nada mas ao meu lado o ronda do quarteirão parando um carro e os policiais saindo de arma em punho gritando: mãos ao alto! Não fiquei parado esperando o desfecho. Acelerei. Estava em cima da hora para ir ao cinema com uma amiga. Não sabíamos que filme veríamos e escolhemos um ao acaso. Doce acaso. Chorei. Ando chorando demais. Uma certa fragilidade de quem vai se despedir das coisas cotidianas de Fortaleza. Mas chorei pela sensibilidade do filme. Falava de perdas e de amizades verdadeiras. Quantas amizades eu sustentei e sustento com esforço. E quantas não dão valor a minha amizade. Saí do filme com uma vontade enorme de escrever e pensar nas perdas e nos amigos. Filmeterapia. Quantas coisas não perdemos no caminho. Quantas coisas não perdemos no fogo. Preciso listar algumas perdas para ver se recupero algo. Algo que só eu sei.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

O AMOR NOS TEMPOS DE HOJE


“O amor é o calor que aquece a alma” já cantava o Jquest. Esses dias assistindo “O amor nos tempos de cólera” refleti muito sobe o amor. Os homens estão perdendo a magia dessa palavra pois estamos vivendo num mundo onde as emoções passageiras estão sendo prioridade. Eu não sou assim. Não sei o que se passa comigo. Não sou nenhum santo, mas cada dia que passa, até nos lugares mais esdrúxulos onde a emoção-tesão é maior que a razão, me sinto perdido. Pessoas tão vazias. Sou do tipo que manda flores, escreve poemas, mas as vezes me sinto tão frágil, tão suscetível a quebrar a cara com as carências que nos fazem cometer loucuras. E quando olho ao meu redor vejo que não é só eu. Mas ainda acredito no amor. Acredito demais. Por que não? Isso me acalma quando chego em casa e me deito abraçado com meu travesseiro solitário. A vida também é feita de escolhas. Já fiz péssimas escolhas. Mas também tive o privilégio de ser amado e amar pessoas fantásticas que me dão a certeza que vale a pena continuar nessa busca. Cada dia mais me preparo para o grande desafio da vida: envelhecer sozinho. Nem todos vamos casar e ter filhos. É a vida. Tem gente que se ilude com isso. Pior é ver tantos jovens, sofrendo tão cedo e nem viveram ainda o bastante. Não sabem como realmente a vida funciona. Só aprende-se a viver, vivendo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

O REVEILLON DE ROUPA NOVA

Eu nunca gostei de reveillons. São tantas promessas que não vão ser cumpridas e uma fraternidade universal que as vezes soa falsa. Mas esse ano eu fui parar o Náutico Atlético Cearense graças a uma amiga que resolveu me tirar da depressão de fim de ano. Eu não tinha um tostão mas aceitei o convite de ir a um dos clubes mais elegantes da cidade. Era o reveillon com Roupa Nova, aquela banda que canta tanto o amor. Logo eu, que sofro de amor compulsivo, iria sofrer mais ainda. Mas lá fui eu pegar minha amiga e uns amigos e fomos a festa. Ate de roupa nova eu estava. Minha amiga me recriminou pois tinha jantado com minha mãe e que não deveria ter feito isso pois na festa teria buffet livre. Bem, o trânsito foi tranqüilo e chegamos cedo. Mudaram nossa mesa quase para trás do palco. Minha amiga, revoltada, foi brigar e arranjar outra mesa. A organização não estava nem aí. Mas que organização?Findamos por ocupar uma mesa ótima e vi o show bem pertinho. Pulei, dancei, ri muito. E o buffet? Bem, a comida logo acabou e gerou revolta para quem não tinha jantado. Venderam 2 mil ingressos e contrataram um buffet pra 100 pessoas. Eita pobreza. Todo mundo bebendo e com fome. Que festa chic essa do Náutico.Minha amiga ficou chateada. Só sobrou farofa e umas poucas frutas. Revolta total. Alguém chamou a polícia. E soube que a banda ameaçou não cantar pois achou o palco muito pequeno. Bem, eu me diverti. Ri. Ate chorei mas ninguém viu. Ri demais das peruas. Tinha ate gente usando vestido feito com tecido de toalha. Bem criativo. E não choveu. Sobrevivi a mais um reveillon. Amem.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Mário

Mário saiu andando sem rumo. Estava em estado de choque. A enfermeira ainda tentou segui-lo mas Mário caminhou rápido. Não podia acreditar. Aquele dia não dormira bem. Tivera pesadelos. Acordara pensando no exame de HIV que fizera uma semana antes. Já repetia esse exame há dez anos e nada tinha acontecido. Sempre preocupara-se em fazer o exame em sigilo. Mas acordou com um estranho pressentimento. Esperou as 15 horas nervosamente. Fora no laboratório buscar e a atendente não achara o exame. Pedira um tempo para procurá-lo. “O Senhor pode responder uma pesquisa com nossa assistente social? Era praxe nesses exames falara a enfermeira. Mário, meio a contragosto, resolveu ir até a assistente social. Entrou e sentou e foi atendido por uma mulher meia idade. “Temos aqui seu exame Sr. Mário Augusto...” Nesse momento Mário começou a deixou de ouvir o mundo externo. A assistente foi explicando os procedimentos para pacientes soropositivos e o que ele deveria fazer. Mário não terminou de ouvir. Levantou-se abruptamente e saiu quase correndo de lá. Não ouviu os gritos da enfermeira. “Vergonha”. Era esse seu pensamento. Pensou na família. A mãe sofreria muito se soubesse, mais que antes, quando descobriu a homossexualidade do filho e que dizia que aquilo era uma doença, coisa do demônio. Ainda bem que o pai já morrera. Um turbilhão de pensamentos tristes tomaram seu pensamento enquanto caminhava sem rumo. Não entendia como fora se contagiar pois sempre usara preservativos. Mas agora era tarde. Passado é passado. Sem notar, chegara a estação de trem. Sentara num banco e ficou perdido em seus pensamentos. A noite foi caindo, e Mário continuara no mesmo banco, ainda perdido em si mesmo e em busca de uma solução para o seu problema. Ouviu o barulho de mais um trem chegando. Pulou a catraca e jogou-se na linha férrea. Uma mulher gritou ao observar a tragédia. O corpo ficou irreconhecível. A polícia fora chamada. Sem reconhecimento da vítima. A linha ficaria interditada até todos os restos mortais serem recolhidos.
Mário nunca mais voltou para casa. Desapareceu para sempre. Os parentes procuraram dias, meses. Foram até ver o corpo de um rapaz que jogara-se na linha férrea mas não reconheceram-no. Mário jamais praticaria o suicídio. Tinha defeitos mas era evangélico, e freqüentava a igreja todos os domingos. A mãe adoecera. Mário entrou para mais uma lista de desaparecidos. Seu retrato ocupava agora um lugar de destaque em sua casa. Sua mãe chorava todos os dias sua ausência.

Suicídios

Ontem me deparei com um pedido que me surpreendeu: parar de escrever meus contos suicidas. Explico. Estou escrevendo uma série de contos que versam sobre suicídios. Não acredito que possa ser um incentivo mas estou pensando no caso. Minha infância foi marcada pela tentativa de suicídio de uma vizinha. Lembre que era criança e fui espiar pela janela a tentativa de salvar uma moça que tinha tomado veneno. Minha mãe quem socorreu. Ela escapou mas nunca mais foi a mesma. Anos depois, morando em Blumenau, aliás, uma das cidades com maiores índices de suicídio do Brasil, me deparei com dois casos. Um dia, no supermercado, e toca o celular. Era a Maria aos prantos. Me contou que sua Luzia tinha chegado em casa e encontrado o filho mais novo enforcado. Foi um choque pra mim, que fui no velório e evitei a todo custo olhar o defunto. Fiz minhas orações e sem querer olhei. Perdi uma noite de sono. Não conseguia dormir. O pensamento que tinham cortado a língua dele para fechar a boca não saía da minha cabeça. Algum tempo depois minha prima pula do décimo andar e voa para a eternidade. Quero deixar bem claro que não defendo o suicídio, ao contrário. Acho de uma extrema fraqueza e covardia. Só quem já viveu num ambiente em que houve um suicídio sabe a ressaca de tristeza que fica no ambiente e o longo tempo que dura isso.
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