domingo, 28 de abril de 2013

Apenas seres frágeis com ilusões


Saber envelhecer é um dos grandes desafios da humanidade. E envelhecer com saúde, sem atropelos que a vaidade traz, encarando a morte como algo inevitável e certo, mas vivendo tranquilamente enquanto ela não vem. Uma das coisas mais fantásticas da vida, além da família, são os amigos. Tê-los é essencial. Não tê-los é viver um vazio horrível.Ter uma crença e acreditar no divino completa o nosso ser. E também saber respeitar as outras crenças, e modos de vida do próximo, mesmo que você não concorde com esse modo. Passei uma semana pensantivo. Tive várias experiências fantásticas. Lidar com o ser humano é outro desafio. Mas pensei muito como o dinheiro é bom e o seu mal uso pode ser ruim também. Como há pessoas vazias, ignorantes, egoístas, mal educadas, que achando-se superiores a todos, não respeitam as mais humildes. São esses seres humildes que limpam nossas sujeiras cotidianas, recolhem nossos papeis sujos, limpam nossos banheiros, trabalham para nós em fábricas escravizantes por salários ridículos. Eles tem todos direitos do mundo assim como deveres. Mas me revolta ver a granfina com nariz de cadáver achar que é superior a sua empregada. O tempo passa para todos e a velhice, boa ou má, é consequência do que somos hoje: apenas seres frágeis com ilusões.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Cálice da felicidade



O coração humano é a metáfora fisiológica dos sentimentos que regem o homem.  Dia a dia lutamos contra diversas adversidades , entre elas as econômicas, sentimentais e psicológicas.  Lutamos muitas vezes contra nós mesmos. O coração sempre é esse órgão martirizado pelos pensamentos. O sofrimento nasce na cabeça mas é o coração que sofre os efeitos físicos. Quando penso em mim, me vejo as vezes perdido. Não tenho solução nem respostas para o ser que habita dentro de mim. Muitas vezes sofro com o sofrimento dos amigos. Mas sofro mais ainda quando me sinto angustiado diante do sofrimento que possa causar ou causo em pessoas maravilhosas que cruzam minha vida, principalmente quando não posso corresponder os valorosos sentimentos que me destinam. Nesses momentos me sinto num  imensidão mar sem fim, solitário em uma ilha perdida, vivendo de boas lembranças, pois as más tento subtraí-las. Queria ter o poder de transformar minha vida e na dos entes queridos em pura felicidade. Mas nem sempre me sinto capaz. Nem sempre consigo corresponder ao amor e me assusta ainda ouvir “Eu te amo”. Me sinto horrorizado,  sem ação,  diante dessa frase tão nobre. Espero que um dia possa não sair correndo e possa, finalmente, beber do cálice da felicidade.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Os caminhos


Ninguém quer voltar sozinho para casa. O caminho é longo e muitas vezes, como cegos, somos conduzidos pelo caminho sem podermos enxergar as adversidades e pedras, passando barreiras, e até levados por estranhos e desejos estranhos. A solidão nos torna cegos. São tantos caminhos e muitas vezes dependemos da caridade de estranhos como dizia Blanche Dubois num bonde transbordante de de desejos que é a vida. Desejamos tantes vezes o impossível e de novo nao vemos o possível que nos levaria a felicidade. Entre sonhos e pesadelos contruimos o que chamamos de caminho, caminhos, vidas, existências, vidas sem rumos, tantas definições que são só uma e que são várias. Vida louca, vida breve. Cazuza tocando ao fundo. Os olhos fechando mas um pensamento, um só pensamento, de mudar o amanhã, o futuro, de transformar as coisas e também jogar tudo para o alto. Uma hora largarei. Na hora certa. Enquanto isso, vamos representando as incertezas. Vivendo a vida louca.

sábado, 23 de julho de 2011

Saudades


Caminhando pela Avenida Paulista, fiquei pensando nos últimos dias. As férias estão terminando. Passei por São Paulo, Joinville, Balneário Camburiú, Blumenau e Curitiba. Ah, Curitiba. Não fui à festa da Sunga 3x4 como muitos pensaram. Mas fui pescado com um olhar. A noite foi oriental. É triste a distância, mas sempre digo que se vivêssemos há 100 anos, uma carta levaria meses. Hoje em dia podemos falar todos os dias por meios virtuais. A vida é sonho. Sonhei com meia-noite em Paris, o último filme de Woody Allen. Tenho sonhado nos últimos dias. Continuarei sonhando entre os dias e noites, em Paris, São Paulo, Fortaleza ou Curitiba. Na minha caminhada pela Paulista, hoje, uma mulher pedia esmolas e gritava que estava com fome. Como avaliar o drama de ter fome em São Paulo, o estado mais rico do país? Outra pedinte me chamou atenção também. Ela não tinha as duas pernas e pedia ajuda para lançar um livro que conta sua luta. Em determinado momento, parei fechei os olhos, e deixei que a brisa fria elevasse meu pensamento para longe. O não querer de voltar para casa e o dever de voltar à realidade cotidiana acadêmica. E por fim, me emocionei com duas coisas: a bestialidade humana de um norueguês que matou muitos inocentes, e morte precoce de Amy Jade Whinehouse. Onde estaremos seguros contra esses loucos que saem atirando? Um dia as armas não serão vendidas e todos terão lido “O menino do dedo verde”. E chego em casa e ouço que Amy morreu. Nossos ídolos morrem cedo. Mas ela cometia suicídios diários. Voltou à eternidade. Um dia voltaremos todos. Saudades de Curitiba.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Esperanças


Um ano que começa. Muitas coisas acontecendo. Mudanças muitas. Quero outros ares. De vez em quando o passado entra pela porta e dá de cara para você e sai, com medo ou sei lá o que de encarar você. Temos que crescer muito. Fiquei trite porque quando vi alguém, há poucos metros da minha frente, pensei que poderia desejar um bom ano. O ano terminou com surpresas. Estamos vivos para vencer desafios. Tenho vencido tantos. Resolvi trocar Sampa por Fortal. Adoro o mar. Já sofro da minha impaciência crônica com certas coisas. Mas tenho que acreditar que tudo muda para melhor. É a lei Tiririca: pior não fica. Pior é vencer as carências. Somos eternamente carentes. Faz parte do intricado mecanismo da vida superar a si mesmo. 2011 que me aguarde.

sábado, 27 de novembro de 2010

Vi nisso.


Acordei e vi o chiclete, já meio duro, ao lado da cama. Fruto de um amor breve, porém não menos intenso, desses que somos acometidos pelas carências, foi tudo que restou de uma relação efêmera. As dores ficaram. Acordei com dor no peito e dor de ganganta. Tomei um antiflamatório. Minha esperança de beber umas, logo mais a noite, estão se diluindo. Aos poucos, a sensação de ser preterido está passando. Ser o outro, pau amigo, amigo amante, seja lá o que for, está fora de questão. Não sou segunda opção. O ser humano sofre por suas opções. Esse ano é o segundo bonde errado que pego. Sofremos, mas se crescermos, é válido. O abraço final, entre lágrimas e soluços, doeu. Chorei por dentro mas não abriria guarda. Eu também queria ser abraçado. Eu também queria carinho. Tou ficando macaco velho. Tou ficando velho. No fim, resta a companhia das minhas minirosas, que não falam, mas que exalam o perfume em forma de carinho. Vi nisso um sinal. Vi nisso que tenho que partir.

sábado, 23 de outubro de 2010

O MONSTRO


Tem momentos na vida que paramos e nos perguntamos: que estamos fazendo aqui? Pra onde vamos? O que será o amanhã? Meus olhos ainda ardem. Difícil ficar de atestado médico. Nunca tinha ficado. Um desânimo me abateu. Fiquei observando algumas coisas ao meu redor. Conheci recentemente algumas pessoas e cada uma foi uma experiência diferente. Fiquei pensando na minha solidão. Na grande solidão e do medo de ficar só. A carência humana está muito grande. Aprendi com o tempo a lidar comigo mesmo mas nem sempre venço o monstro que há dentro de mim. É mais fácil termos receitas para os outros, mas não temos nenhum remédio para alguns dos nossos males. O processo da escrita nos faz refletir muito além do ser humano. Ninguém pode julgar ninguém. Julgamos diariamente. Constantemente. Hoje quis mudar o mundo mas o mundo não quis ser mudado. Podemos errar. Temos direito de errar. Tudo passa.

sábado, 4 de setembro de 2010

Viver


Chorar é uma das coisas mais difíceis para os homens. Constantemente, acuados por uma sociedade machista e maxista, ele chora escondido, ou reprime, gerando marcas para a vida inteira. Depois das obrigações de Amélia, da louça do café-da-manhã e do jantar de ontem, sentei em frente a televisão e parei no canal que passava Billy Elliot. Revi parte do filme e chorei no fim. Uma história que fala sobre as dificuldades que passamos quando queremos sonhar e realizar nossos sonhos. Revendo a trajetória de meus pais e familiares, vejo que sou um privilegiado. Já realizei o maior sonho, agora só faltam pequenos sonhos. Mas há os obstáculos humanos e naturais a vencer. Há eu mesmo a vencer. Há o destino. Há um mundo de coisas que nos fazem ver que podemos vencer qualquer coisa, inclusive a nós mesmo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Chuva

Choveu em São Paulo. Hibernei como um urso. Eu sou um urso. Fiquei pensando naqueles pobres que perderam suas casas num incêndio noite passada. Há muitos sem-teto pela cidade. Sem-família. Sem-amor. São Paulo é um cidade sem.Há muitas diferenças sociais. A solidão é enorme. Fui caminhando para o cinema. Queria abstrair um pouco dos problemas. Leio que um amigo sente-se só. Tento dar uma força e convidá-lo ao cinema. Fui só mesmo. Ri um pouco. A chuva trouxe um ar mais saudável. Podemos respirar melhor.O inverno enfim chegou.Amanhã é outro dia.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Azuis


Acordei cedo. A luz foi surgindo aos poucos. A preguiça foi indo embora. Meu pensamento em azul. Uma sensação de prazer e desejo. Meu nariz não me permitia buscar o cheiro de ontem. Havia apenas copos e pratos sujos . Busquei ouvir Abel Korzeoniwski. Havia a sensação de algo bom, num curto espaço de tempo. Olho na janela e vejo minhas pequenas rosas. Lindas. Lindo. A música cresce e a necessidade de escrever, descrever é latente. Como a música traduz meu espírito nesse momento. Os olhos enchem de lágrimas mas elas não caem há algum tempo. A cama desarrumada. Vivienne Westwood jogada no chão. O som dos violinos transpondo o tempo e o espaço da alma. Por que as pessoas têm tanta dificuldade em falar o que vai dentro do âmago? As coisas boas assim como as ruins marcam consideravelmente nosso espírito. Mas aqui estão as marcas boas de uma noite efêmera. Por um minuto, fecho meus olhos e me transponho apara aquela duna, em forma de pirâmide onde rezei muitas vezes. É a música com seu poder de mudar o tempo e o espaço. Violinos. Nessas horas lamento ter largado as aulas de música. O tempo corre. Estou escravo do tempo hoje. Escravo de mim mesmo. Mas aqueles olhos não me saem da cabeça. Meu sorriso transborda ao lembrar deles. Azuis. Azuis.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Felicidade

Meu dia começou cedo. Um pensamento longe me acompanhou. Intrigado com os dias e os homens. Pensei nas carências humanas. Somos fracos, uns mais , outros menos. Mas há uns que fantasiam demais e criam situações inusitadas. De repente, estamos no meio de um filme e nem sabemos como e porque fomos parar lá. Coincidência dos fatos. O dia transcorreu na espera do jogo. Cozinhei. Fui até o apartamento das minhas amigas. Uma dor nas costas. Queria uma massagem. Enquanto o Brasil não marca, eu não vejo o jogo. Apenas ouço. E vieram os gols. E pipoca, coca, brigadeiro, creme de galinha e carinho amigo. Felicidade. Brasil será campeão.

domingo, 27 de junho de 2010

Noites avassladoras


Algumas noites são avassaladoras. Após um café agradável na livraria cultura e de companhia idem, fui para casa. Tudo era solidão. Meu companheiro, um copo e muito gelo. Muitos copos e muitos gelos. Os dias tem sido felinos.Há uma impaciência constante na minha pessoa. Ando querendo matar pessoas, quebrar copos, excitar o meu lado sádico adormecido. Adoro analisar o ser humano. Tenho feito isso quase todos os dias. Isso me excita muito. Representamos cenas diárias do maior espetáculo da terra: a vida. Meia noite, virei a anti-cinderela e estava numa fauna animal. Muitos animais aproximaram-se. Minha palavra é minha arma. Como o ser humano é idiotizado. Às duas da manhã deu meus cinco minutos e ninguém me segurou. Vim caminhando sozinho. Nunca senti medo de nada e ninguém. Olhei a lua. O vento frio batia na minha cara. Vi muitos lázaros dormindo no caminho, enrolados em cobertores fétidos. Havia um jogado ao chão, bêbado talvez, cadeira de roda ao lado. Quantas vidas sem destino. Chegando na minha casa, cruzei com um cristo. Cabelos compridos, barba, sujo, catava o lixo. Em 30 minutos caminhando, vi muitas vidas, a minha vida. Era melhor continuar aquela noite sozinho. A solidão não era a melhor opção, mas dormi feliz.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

GOSTO E DESGOSTO


Essa semana, uma prima que há muitos anos não tinha notícias, disse que eu fui uma criança doce. Fiquei pensando nisso. A vida, o homem, a necessidade de crescer e amar, nos amarga. As vezes somos atores, representamos que está tudo bem, mas por dentro, estamos meio aos trancos e barrancos. Questiono-me muito sobre o sentido da vida e sei que tudo tem sentido, mas enxergar as entrelinhas dessa mesma vida é que nos trai e mostra que temos que crescer fortes e a doçura vai por água abaixo. Ninguém sabe o duro que foi perder a inocência cedo, tentar amadurecer na selva de leões, de pedra. O inverno está chegando e pior que o frio, é o frio no coração dos homens. O ar vai ficar pior nessa cidade e mesmo assim não irei usufruir das praias da minha infância ou dos sertões de Bodocó. Passada uma semana, em que moda mostrou-se uma coisa mais fútil do que tudo, e que vi pessoas que vivem em castelos de vaidades e tendências, sinto-me feliz que tudo passa. É moda. Passa. Somos atores, não somos? Uns com tanto mal gosto. Mas tem gosto e desgosto para tudo. É a vida.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

SOWETO E LENÇÓIS


Ao fim do dia, reflito sobre minha vida, uma vida que poderia ser melhor, se o personagem principal dela fizesse as coisas mais certas. Acordei e fui com um amigo ao breakfast da padaria Bela Paulista. Um Buffet fantástico. Brindamos a Audrey Hepburn e começamos o café tomando frisante. Depois, caminhar na Paulista. Comprei um relógio xing-ling. Antes de chegar em casa, ele já estava atrasando. Não tinha garantia. Riam. Depois, vale do Anhangabaú. Gente feia. Iludidos com o falso brilho de quererem ser o que não são. São. Ilusionistas. Encontrei até “Leide Gaga”. Voltei para casa cinco chopes de vinho depois. Deitei. Telefone não me deixou dormir. Não saí. Fiquei vendo TV, arrumando minha suíte. Assistindo ao globo mar, na Ilha de Lençóis,me emocionei com um abraço poético entre um menino albino que quer ser poeta e a repórter. Eles pescam a noite porque o ministério da saúde não distribui protetor solar. Oh deus, que país é esse em que tantos querem o poder e ninguém faz nada pelos brasileiros esquecidos. Aí vejo a alegria do povo de Soweto com a seleção brasileira. Soweto tem um milhão de esquecidos também. Entre negros sul-africanos e brancos dos Lençóis, termino a noite, vendo que eles são mais felizes que eu.

domingo, 2 de maio de 2010

Destinos e caminhos

Tem dias que uma tristeza invade nossos corações. Tirar alguém de nossas vidas não é fácil. Pode ser um processo que pode levar dias, meses, anos, quiçá uma vida inteira. Ninguém constrói uma vida na mentira. A verdade sempre prevalece. Duvidar da verdade de cada um é um ato de coragem. A suspeita pode fazer feridas incuráveis. A vida, apesar de complexa, funciona sabiamente. Uns acreditam em destino, outros em suas próprias crenças. Eu acredito mais em destino. Mas do mesmo jeito que a estrada nos mostra alguém numa curva, ela segue entre retas e precipícios curvos, e outros aparecerão no caminho. Mas que fazer quando estamos tristes? Viver e seguir nossos caminhos.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

AMORES BRUTOS

Tem dias difíceis de suportar. Do nada, vivemos crises existenciais. Eu tento fazer minha parte, mas tem horas, como agora, que gostaria de acabar com tudo e voltar ao nada. Procuramos diariamente motivos para viver. Procuramos pessoas para estar ao nosso lado, independente do tempo e da distância. Amamos certas pessoas e nem sabemos por quê. Temos que saber? Amamos não pela possível beleza física, que digamos, é muito passageira. Amamos por pequenas palavras, uma foto, um gesto, um nada que não tem explicação. E quando não dá certo, vivemos o processo do desamor, que nunca desejamos, mas que já aconteceu inúmeras vezes. Pior é amar quem não conhecemos. Amores virtuais. Mas todo amor requer uma dose de sacrifício, e, as vezes, nos sacrificamos tanto, e tudo em vão. Amores brutos.Só nos resta viver e superar a vontade de ligar e ouvir uma certa voz.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Amar


Amar
Que pode uma criatura senão,senão entre criaturas, amar?amar e esquecer,amar e malamar,amar, desamar, amar?sempre, e até de olhos vidrados, amar?Que pode, pergunto, o ser amorososozinho, em rotação universal, senãorodar também, e amar?amar o que o mar traz à praia,o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?Amar solenemente as palmas do deserto,o que é entrega ou adoração expectante,e amar o inóspito, o áspero,um vaso sem flor, um chão de ferro,e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.Este o nosso destino: amor sem conta,distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,doação ilimitada a uma completa ingratidão,e na concha vazia do amor a procura medrosa,paciente, de mais e mais amor.Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossaamar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drumond de Andrade

A corrida

Todo dia apostamos numa corrida em que queremos ser vencedores. É um páreo difícil. Há cavalos fortes, há cavalos fracos. Chega em primeiro quem tem a melhor disposição para vencer as adversidades. Apostamos tanto. Apostamos muitas vezes num cavalo medíocre. Apostar no cavalo certo, no vencedor, é o grande enigma. As vezes, inconcientemente, apostamos. E perdemos tempo, dinheiro e saúde. Quando, num dia inesperado, sem a menor perspectiva, ganhamos, é uma alegria, um sentimento de vitória que levamos noite adentro, entre sonhos e uma sensação de felicidade indescritíveis. Todo dia sonhamos com essa vitória. Ganharemos poucas vezes na vida, quiçá nem uma vez. Mas a vida é sonho, e os sonhos, sonhos são.

domingo, 21 de março de 2010

A single man


O limite de nossa capacidade de viver é testado muitas vezes. A solidão que nos abate em vista de perdas afetivas nos fazem querer a morte. Morremos tantas vezes. Matamos também para não morrer. A felicidade alheia pode ser incômoda quando somos invejosos e egoístas. Há muitos diuas a solidão está incomodando. Hoje, no cinema, assistindo "A single man", identifiquei-me demais com a história. Até que ponto somos fortes. Até que ponto somos capazes de nos reconstruir, dar a volta por cima e erguermos novos castelos. Hoje, voltando das baladas, deparei-me com Celina, uma senhora que dorme na esquina do meu qurteirão. Sempre me perguntava qual seria a história daquela mulher. Hoje conheci toda. Sozinha no mundo, mas digna. Sobrevive com 147 reais. Emocionei-me demais ao tomar liçoes de vida no dia que surgia. O que somos? O que sou? Apenas um rapaz solteiro.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Nem tudo são flores


Olhando as flores da minha janela, tão bem cuidadosas e cheias de amor, fico pensando que na vida nem tudo são flores. O dia está nublado, meu coração também. O verão está chegando ao fim. Apesar do inverno ser a estação que mais gosto, não sei se quero passar mais um em São Paulo. Há a alegria de muitos amigos que fiz e a tristeza de muitos insignificantes que conheci. Vim só, provavelmente partirei só. Alma errante. Tudo estava bem até alguém dar sinal de vida. Anos para esquecer alguém e segundos para todo um sofrimento voltar á tona. Me senti um náufrago, boiando no mar ártico sem fim. Realmente, hoje não seria um dia comum. Amanheci com extrema calma e procurei atender todos os alunos. Cheguei em casa e cozinhei muitos pratos: queria um almoço completo. Os dias correrão e esquecerei esse dia. Amanhã será outro dia. Graças a Deus.